Publicado por: paulobedran | 18/09/2011

Viajando para o Chile

Cinco anos depois, retorno ao Chile, que continua tão surpreendente  quanto foi da primeira vez. Foram apenas 5 dias, mesmo assim, além de Santiago, deu para dar uma passadinha pelo Valle Nevado, por Valparaiso e por Isla Negra. Viajar para o Chile tornou-se uma opção interessante para o brasileiro, pelo baixo custo, pela proximidade, pela facilidade de acesso e pela diversidade de atrações culturais e, principalmente, naturais. Atualmente, diversas empresas aéreas voam entre os dois países, inclusive as brasileiras TAM e GOL. Nessas, as passagens podem ser emitidas através dos programas de milhagem, o que pode diminuir o custo com transporte. Sobrevoar a Cordilheira dos Andes, durante um belo dia de sol e tempo aberto, é emocionante. Abaixo publico uma foto do Monte Aconcágua, feita de dentro da cabine de comando de um Airbus A330. Custei a acreditar que aquilo tudo era real.

Monte Aconcágua

Santiago, a capital chilena, é um retrato do espírito do país. Basta uma caminhada pela cidade para perceber a influência européia na arquitetura, a prosperidade econômica, a cordialidade do chileno e o maior nível de desenvolvimento social da América Latina. O sistema de metrô, além de econômico, é moderno, limpo e atende as principais regiões da capital. É uma ótima opção de transporte, ao final deste post disponibilizo um mapa da malha do metrô santiaguino. Boa parte das atrações turísticas podem ser percorridas a pé, ou se preferir, de bicicleta. A Plaza de Armas, a Catedral, o Palacio de La Moneda, o Museu de Arte Precolombino, o Mercado Central… ficam todos na mesma região. Aproveite a caminhada para percorrer os agitados calçadões Paseo Ahumada e Huérfanos, onde estão localizadas filiais das principais redes de lojas do país e os curiosos cafe con piernas.

Palacio de la Moneda

Interior da Catedral de Santiago

O Mercado Central é um lugar legal para se conhecer. A bela estrutura metálica que envolve o mercado – fabricada na Escócia no século XIX – confere um charme especial ao lugar, que, oferece opções honestas de almoço, incluindo uma grande variedade de frutos do mar. A parte central do mercado abriga os restaurantes e as bancas de frutas, legumes e verduras. Dois restaurantes dominam o espaço do mercado: Donde Augusto e La Joya del Pacífico. Seus funcionários digladiam-se pelos clientes, a abordagem chega a ser desagradável, tão quanto a insistência. Confesso que desta vez o almoço não agradou tanto quanto em 2006; talvez tenha tido azar. Recomendo o congrio, um saboroso peixe marinho de carne branca e poucos espinhos.  Dependendo da época pode-se encontrar excelentes cerejas frescas.

Mercado Central de Santiago

Para os admiradores do poeta Pablo Neruda, um dos mais importantes autores literários da América Latina, sugiro a visita a suas casas. São três: La Chascona, em Santiago; La Sebastiana, em Valparaiso; e a casa de Isla Negra. Neruda tinha uma relação muito íntima com suas moradas e com suas coisas, motivo pelo qual, hoje, contam muito sobre ele. A página da Fundación Pablo Neruda fornece os endereços, os horários e os meios de se reservar uma visita. Agências de turismo vendem este passeio, no entanto, recomendo que seja feito por conta própria. Além de mais econômico, a visita independente garantirá que distribua o tempo de uma maneira mais conveniente. A visita não é obrigatoriamente guiada em todas elas, contudo, se possível, opte por ser. As casas estão repletas de pequenas detalhes que contam grandes histórias; por isso os guias da Fundação são essenciais. Recomendo o livro Las Casas y Cosas de Pablo Neruda; como disse Aleka Vial, a autora: “A través de estas páginas, Neruda parece gritar que la magia existe y que es posible hacer florecer desde un tornillo hasta una estrella.”. Um magnífico livro de fotos das casas  e coisas do diplomata, revolucionário, nobel de literatura, coisista e apaixonado, Pablo Neruda.

La Chascona

La Chascona está situada aos pés do Cerro San Cristóbal; aberta apenas para visitas guiadas e pré-agendadas, que custam cerca de $2.500 CLP. Se for de metrô, desça na estação Plaza Baquedano, atravesse a avenida Costanera e caminhe algumas quadras pelo boêmio bairro Bellavistaaté a rua Fernando Márquez de la Plata, número 0192. Para La Sebastiana, pode-se pegar o ônibus para Valparaiso no terminal de buses de Santiagosaem a todo instante. Utilize o metrô até o terminal, fica próximo à estação Universidad de Santiago. Recomendo a empresa Pullman Bus, os ônibus são novos, limpos e confortáveis; a passagem custa cerca de $3.000 CLP. A viagem dura aproximadamente 2 horas. Do terminal à casa-museu, para otimizar o tempo, pode-se tomar um táxi, não sai caro. Outra opção interessante é utilizar um ascensor funicular para vencer as ladeiras da cidade portuária. No retorno, desça caminhando sem pressa, apreciando a vista e os murais sobre as fachadas do bairro Cerro Bellavista, também conhecido como Museo a Cielo Abierto. A terceira e última casa de Neruda fica em Isla Negra, um pequeno município costeiro a 100 km de Valparaiso.  A empresa Pullman Bus também opera neste trajeto, a passagem pode ser comprada no próprio terminal de ônibus de Valparaiso, saem ônibus a cada hora durante o dia.

Museo a Cielo Abierto - Bairro Bellavista - Valparaiso

Três sugestões gastronômicas em Santiago: Astrid & Gaston, Nolita Pasta e Basta. Se quer uma experiência inesquecível, um orgasmo gastronômico, não tenha dúvidas: Astrid & Gastón. Experimente el cochinillo de tres semanas. Vale cada centavo da pequena fortuna que deixa por lá. Reserve com antecedência, o restaurante é disputado. Nolita está localizado em Las Condes, no centro financeiro chileno. Apesar de sofisticado, o ambiente é acolhedor e bem humorado… a cozinha, tão excelente quanto o atendimento. O Pasta e Basta fica no pátio externo do centro comercial Parque Arauco, ótimo restaurante italiano, onde come-se bem a preço justo. Não sou um conaisseur, mas arrisco uma dica: estando no Chile, na dúvida, peça um Carmenérè Reserva. Os vinhos desta casta de uva, hoje, exclusiva do país, não decepcionam.

El cochinillo de tres semanas - Astrid & Gastón

Aproveitando o assunto, recomendo a visita à vinícola Undurraga, uma das mais tradicionais do país. Fica a poucos minutos de carro do centro de Santiago. Fuja dos pacotes turísticos, reserve – por e-mail ou telefone – uma vaga na primeira turma do dia, por volta das 10:15 a.m., contrate um motorista de táxi e desfrute o passeio. Já havia visitado a vinícola Concha y Toro, noutra ocasião, se tiver que escolher entre elas, fico com a Undurraga. O Sr. German se encarrega de proporcionar uma visita descontraída e esclarecedora. Durante uma agradável caminhada pelas dependências da vinícola, o eloquente guia desmistifica a enologia aos leigos. Ao custo de $8.000 CLP, o tour dura cerca de 1 hora e meia. Percorre-se o pátio histórico, os vinhedos, a moderna planta de vinificação, as bodegas subterrâneas e, por fim, passa-se à degustação de três vinhos reserva. Se pretende adquirir algumas garrafas, vai a dica: Carménère Reserva Especial da linha Sibaris de Undurraga.

Bodegas subterrâneas da vinícola Undurraga

O Museo de Arte Precolombino mereceu uma re-visita. Reserve algumas horas de sua estada em Santiago para apreciar as belas e bem conservadas peças da exposição permanente deste museu. O acervo - apresentado ao público através de modernas instalações - conta a história dos povos que habitavam a América do Sul antes da invasão européia. Como o Museu do Ouro de Bogotá, o Museu de Arte Pré-colombino é imprescindível aos que pretendem se inteirar das origens das sociedades latino-americanas. Indo de metrô, desça na estação Plaza de Armas, abre de terça a domingo, das 10:00 a.m. às 06:00 p.m., paga-se $3.000 CLP pela entrada.

Museo de Arte Precolombino

Estando no país entre os meses de junho e outubro, não deixe de curtir as estações de esqui. Nos arredores de Santiago, existem várias: PortilloColorado , Valle NevadoLa Parva… No mês de julho ficam lotadas; a maioria, brasileiros. A empresa Sky Total oferece toda a estrutura necessária: o equipamento, o translado, a reserva das aulas para os iniciantes, os ingressos às estações… Dizem que nos meses seguintes os custos reduzem significativamente, fica a dica para quem puder viajar de agosto a outubro. Não foi minha primeira vez na neve, mas foi no esqui. O começo, confesso que não é fácil, mas, quando se familiariza com a técnica e com os equipamentos, não se quer mais ir embora. Pretendo passar uma temporada no Chile com a finalidade específica de aprender e praticar o esporte.

Estação de esqui Colorado

A capital chilena não se esgota nas opções aqui comentadas. Sendo a segunda visita, priorizamos o que ainda não havíamos conhecido e, também, o que mais nos marcou na primeira. Sobre a troca da guarda do Palacio de la Moneda, o Cerro San Cristóbal, o zoológico, os centros de compras e outros bares e restaurantes, comento noutra oportunidade.

Santiago de Chile

Santiago não é mais tão barata como já foi outrora, mas também não pode ser considerada uma capital cara. A valorização do real nos ajuda nas conversões. O peso chileno (CLP) é a moeda corrente oficial no país. Atualmente, 1 real vale, aproximadamente, 280 pesos chilenos. Os preços médios cobrados por hospedagem, alimentação e serviços não são mais a pechincha que eram há 5 anos. No entanto, os produtos em geral, ainda continuam bem  mais em conta que em nosso paisinho. Quanto aos gastos no exterior, dou preferência ao uso do cartão de crédito. Tecnicamente, em algumas análises, minha opção pode ser financeiramente desvantajosa, porém, a considero mais segura. Apenas para exemplificar, podemos comparar o custo do dólar pago com o cartão de crédito e o do sacado utilizando-se um cartão pré-pago, como o Visa TravelMoney. O primeiro custará cerca de 2% a 3% mais, mas, em contra partida, a opção mais econômica lhe obriga a circular com o dinheiro em espécie. Não há como criar regra geral nesse assunto, dependendo da taxa de conversão praticada pela operadora do cartão, bem como dos benefícios do programa de relacionamento, o uso do cartão passa a ser vantajoso também do ponto de vista financeiro. De qualquer forma, é sempre prudente ter à disposição dinheiro em espécie, pesos chilenos no caso. Pois, nem todo estabelecimento ou prestador de serviço aceita o pagamento com cartão ou em dólares americanos. Se preferir trocar o dinheiro por lá, não terá dificuldades. No aeroporto de Santiago funcionam casas de câmbio durante as 24 horas do dia. São legalizadas, praticam a cotação oficial e o ambiente é seguro.

Cédulas de peso chileno

Para ingressar no Chile, como turista, basta ter um documento de viagem válido até o término de sua estada e comprovar capacidade financeira para se manter durante o mesmo período. De acordo com a legislação chilena, se for se hospedar na casa de um nacional, deve apresentar um convite do mesmo; se não, deve comprovar reserva em hotel. Regras similares às exigidas na maioria dos países. Apesar de não ser país membro, o Chile é associado ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), portanto, o turista brasileiro não precisa de passaporte, basta apresentar o  documento de identidade civil (RG). Essa história de que o documento de identidade não pode ter mais de 10 anos é lenda… O artigo 1º do Acordo sobre Documentos de Viagem dos Estados Partes do MERCOSUL e Estados Associados diz que o prazo de validade dos documentos aceitos será o estabelecido nos mesmos pelo Estado emissor; não possuindo data de vencimento, entender-se-á que os documentos mantêm sua vigência por prazo indeterminado. Para evitar aborrecimentos com a desinformação alheia, prefiro o bom e velho passaporte, com pelo menos 6 meses de validade… Vai alugar um carro?  É necessária a permissão internacional para dirigir; você pode providenciá-la junto ao DETRAN do seu estado. Uma preocupação para o viajante com destino na América do Sul é a vacina contra a febre amarela… relaxe, o Chile não figura na lista  - publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - dos países que exigem a comprovação desta.

O Consulado-Geral do Brasil, no Chile, fica em Santiago, no seguinte endereço: Calle Enrique Mac-Iver 225, Piso 15. O idioma oficial é o castelhano. A rede de energia elétrica é 220 v. O Chile continental está no fuso horário UTC -04:00, ou seja, uma hora atrás do horário de Brasília. Para eventual necessidade de contatar a operadora de cartão de crédito, tome nota dos telefones: American Express, 800-20-8020; Diners Club Internacional, 800-22-0220; Mastercard, 56-2-638-6380; Visa Internacional, 56-2-633-9596. Outros telefones úteis: socorro médico,  131; bombeiros, 132; polícia, 133.


Mapa do Metrô de Santiago

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Responses

  1. Jú, adorei o seu post sobre o chile. Muito legal!!! Saudades… Bjos Luiza

    • Oi Doida! Que bom que você gostou. Também estou com saudades. Beijos.

  2. Demais, hein Paulo? E as fotos? Me deu vontade de voltar, porque essa não era a primeira vez de vocês e vi que tem muita coisa pra fazer ainda! Abração

    • Fala Rafa! Que bom que você gostou. Valeu a pena o retorno. Forte abraço.

  3. fizemos esta viagem de carro,realmente a paisagem é marravilhosa recomendo

  4. Obrigada pelas dicas, na volta compartilhamos nossas impressões…seu post e suas imagens ajudou muito a fazer nosso roteiro.


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